A primeira disciplina do doutorado não foi apenas um marco formal no calendário acadêmico. Foi, antes de tudo, um deslocamento interno. Tópicos em Políticas Educacionais, dedicada ao estudo do Materialismo Histórico-Dialético, chegou como uma experiência que exigiu mais do que leitura atenta e cumprimento de tarefas. Ela me convocou a revisar a forma como eu vinha compreendendo a educação, a pesquisa e o próprio mundo material e social. Desde os primeiros encontros, tornou-se evidente que não se tratava de aprender um método no sentido técnico ou instrumental, desses que prometem caminhos seguros e respostas rápidas. O MHD não oferece conforto, muito pelo contrário, ele exige enfrentamento. Ao discutir sua teoria do conhecimento, fui levado a reconhecer que o real não se revela de imediato, que as aparências frequentemente ocultam as determinações essenciais e que compreender o mundo e seus organismos implica ultrapassar o plano do visível para alcançar a trama histórica que sustenta ...